Eólica

Força dos ventos promete ser a fonte de energia do futuro

A força dos ventos, velha conhecida dos europeus do século passado, criadores dos moinhos para moagem de grãos e bombeamento de água, promete ser o boom energético do futuro.

A geração de energia eólica vem crescendo a um ritmo acelerado nos últimos anos, registrando um aumento de 40% ao ano - o maior índice de crescimento mundial de todas as fontes de energia. O que foi a saída para suprir a falta de energia elétrica provocada pela primeira crise do petróleo nos anos 70, hoje possui tecnologia  avançada e já compete com outras fontes em todo o mundo.
Até dezembro de 2002, a potência instalada em todo o mundo era de cerca de 32.000 MW, sendo a Alemanha o país campeão neste tipo de geração de energia, com cerca de 12.000 MW. "Hoje, 5% da energia produzida na Alemanha é eólica e eles querem chegar a 50% em 20 ou 30 anos. Na Espanha, 10% da matriz já é eólica", afirmou o secretário de Energia, Minas e Comunicações do Rio Grande do Sul, Valdir Andres, após visitar parques eólicos e grandes empresas do setor nos dois países no início de junho.

O Rio Grande do Sul deverá ser um dos grandes beneficiados com os investimentos da multinacional espanhola Gamesa Energia. Dos 860 MW que o braço brasileiro da empresa prevê gerar no Brasil nos próximos anos, 620 MW serão no estado. O investimento projetado é de aproximadamente US$ 480 milhões.

Energia Eólica no Brasil

No Brasil , a geração de energia a partir dos ventos é uma alternativa para a diversificação da matriz energética. O chefe da Divisão de Desenvolvimento Energético das Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc), engenheiro Wilson Reguse ressalta o fato de que estudos já demonstraram que as fontes eólicas e hídricas se complementam em diversas bacias brasileiras.

“Em períodos do ano de baixa precipitação pluviométrica se registram os melhores ventos, dai a complementaridade das fontes”, explica. Especialista em  energia eólica pelo Deutsches Windenergie Institut (DEWI) de Wilhelmshaven, na Alemanha, Reguse é responsável por projetos de geração de energia através de fontes não convencionais, como eólica e solar.

A potencia instalada no Brasil hoje é de cerca de 21,5 MW, sendo que o potencial em geração eólica é estimado em 143,5 GW. A região nordeste é a que apresenta o melhor regime de ventos no país, sendo, portanto, a com o maior potencial. Cerca de 17,4 MW estão no Ceará, 1MW em Minas Gerais, 2,5 MW no Paraná e 0,6 MW em Santa Catarina. “Aqui em SC estão em implantação mais 4,8MW que devem entrar em operação em outubro de 2003”, lembra Reguse.

O engenheiro se refere ao parque eólico com oito aerogeradores que está sendo montado na cidade de Água Doce, no oeste catarinense, pela empresa paulista Central Nacional de Energia Eólica (Cenael).

O Rio Grande do Norte terá nos próximos anos novos projetos energéticos e o maior parque eólico do País. Isso porque a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou a construção de 21 usinas no estado. O presidente da Federação das Cooperativas de Energia e Desenvolvimento Rural do RN (FE|COERN), engenheiro Roberto Coelho, afirma que o Rio Grande do Norte possui o maior potencial de geração de energia eólica e solar do País. Ele garante que em dez hectares de terras do RN a insolação para gerar energia equivale a uma bomba atômica por ano. 

Proinfa

Mesmo possuindo uma matriz com base em geração hidráulica (cerca de 90%) e um grande potencial não aproveitado, a fonte eólica ainda apresenta custo de geração alto no Brasil. “Por ainda não serem viáveis economicamente, há necessidade de que a inserção destas fontes seja uma decisão estratégica de governo”, afirma Reguse.

É isso que se propõe para o Brasil através da criação do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas (Proinfa). “Alguma forma de incentivo para as fontes não convencionais ocorreu em todos os paises do mundo em que estas fontes são hoje significativas nas matrizes energéticas”, ressalta o engenheiro.
 
Dos 3,3 mil MW previstos pelo governo para geração por fontes alternativas na primeira fase do Proinfa, um terço deverá sair de parques eólicos. Para Reguse, porém, 1100 MW nesta 1º etapa do Programa é muita coisa, considerando que os empreendimentos devem entrar em operação até dezembro de 2006.